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O pai do meu amigo gostava de fazer caipirinha nos domingos, então passava lá encasa e levava meia dúzia, às vezes mais(não levava mais pois gostava ele mesmo de apanhá-los) e lembro da cara de satisfação do meu velho.Sempre tão calado, o italiano era de poucas palavras, mas tinha um coração de ouro, O pai do meu amigo(filho de italianos, calabreses eu acho) também não era de muitas palavras. Se entendiam bem. Eu e meu amigo, brincávamos com nossos trecos:soldadinhos, pilhas velhas, um ou outro carrinho(não tinhamos muitos brinquedos e nem precisávamos) nos entendíamos bem. Crescemos, adolescemos, nos aborrecemos. O mundo girou, ele casou, eu casei.O tempo e a vida colocou uma distância raqzoável entre ele e eu. Ele se separou, eu continuo aqui, firme agarrado às minhas amarras. Porém nada disso diminuiu a amizade, a camaradagem entre nós(nossas contas telefônicas continuam gigantescas). Aos domingos no quintal da minha casa mexo nas plantinhas, tiro folhas secas, molho-as. Mas limoeiro não tem mais. Saudades.
Escrito por Valter às 17h10
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O LIMOEIRO
AQUELE LIMOEIRO
Na casa em que morei a maior parte de minha vida(até casar, de lá para cá, pareço cigano, sempre em transito), tinha um quintal bem grande.As recordações da infância, são sempre em meio a galinhas caipiras, uma horta muito bem cuidada(o xodó de minha mãe) minha cachorrinha Lassie(uma vira-latas) que me acompanhou por mais de quinze anos(morreu de velhice) e um pé de limão que era cuidado com esmero e carinho. Não era um pé de limão qualquer, não. Era um pé de limão taiti, uma muda comprada enxertada na feira pela minha mãe. No segundo ano de plantado já dava frutos. Pequenos na primeira safra, maiores e maiores ainda nas seguintes. Todos os anos era feita uma poda na data certa, adubação, calagem, chegar terra junto ao tronco e água todas as tardes no período seco e dia sim dia não nos outros.
Escrito por Valter às 17h01
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VEM
Esse brilho no olhar
Ainda é o mesmo de antes
Dos duros tempos que passamos
E a franquesa do falar
Sempre terno e franco
Sempre solto e livre(o riso)
São esses mesmos tons
Que nos uniram
Vem,
Vamos sonhar
Mais um pouco que é o tempo
Vem,
Traga a luz desse olhar
Que ainda é cedo para o adeus.
E só quero guardar
De lembrança dos bons tempos
Esse brilho no olhar
Essa cor de sonho
Que nos trouxe taqnto alento.
(janeiro/81- In.Laços de Sangue-não publicado,ainda)
Escrito por Valter às 10h35
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ÀS Seis da Tarde
Marcaram enfrente ao Redondo, na Ipiranga com a Consolação.Às seis da tarde. Ele chegou antes. Pediu uma cerveja.Sentou e ficou olhando as pessoas que passavam. Distraído, não viu quando ela chegou. Vinha pisando firme, passos decididos. Chegou na mesa e: -- Oi. Tô atrazada, não vou poder ficar. E ele: --mas, eu pensei que a gente... Ela: --Não, não vai dar. Olhou fixo prá ele e ele viu que não tinha emoção nenhuma nem nos olhos e nem nas palavras. Entendeu alí que tudo tinha acabado, A cerveja esquentando no copo e na garrafa. Engoliu em seco, pensou em dizer algo, viu que não adiantaria. Ela alí, resoluta. O silêncio maior que ambos, o muro instalado entre os dois. Ela:-- Me desculpe, já vou. Virou as costas e se foi. Ele parado, mudo. Os olhos úmidos.Agarganta seca. A cerveja esquentava.
--
Escrito por Valter às 15h22
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OS BAM-BAM-BAM(s)
Aderí à idéia lançada pela Lúcia Carvalho(http://frankamente.blogspot.com) propondo que os ocupantes do Comando Central(Lula e a camarilha) tivessem seus passos seguidos num BBB;assim teríamos a possibilidade de acompanhar 'full-time" ou seria "real-time" todas as ações do nosso nada-sabia-presidente e seus asseclas, principalmente quando estivessem a tomar decisões bananosas como as desta semana em que literalmente abriram as pernas(desculpem o linguajar de campo de futebol, mas é assim que penso) aos "hermanos" que terão ainda mais motivos para gargalharem junto aos maradonas como nos episódios em que deram de beber aos brasileiros água"batizada" com sabe-se lá oquê, e em outras ocasiões que não se cansam de rirem de nós. Convoco todos à aderirem já. BBB-LULA2006! Avante, pois.
Escrito por Valter às 11h12
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Escrito por Valter às 11h09
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continuo:Crescemos, ficamos adultos(não muito, é claro) nos distanciamos, mas a amizade resiste e anos depois numa rara visitra que fiz à sua casa, o primeiro olhar vai para quem? A parreira. Lá estava, linda, adulta((ela, sim) e espanto meu: produzia frutos. Muitos e belos cachos pendiam de seus ramos. Posso assegurar que a visão valeu a visita, não me lembro do que falamos, lembro que a parreira tinha cachos, generosos e abundantes cachos de uvas. Hoje, passados muitos anos, quando vejo uma casa que tenha uma parreira, o pensamento voa prá lá e viajo. Nesta manhã aconteceu isso. Andava pela rua e vejo uma casa com uma parreira. Não, não tão linda como aquela. Não tinha cachos, tampouco estava podada(se vc não poda, ela não produz, aprendi), contudo era uma parreira. Fui trazido de volta pela buzina de um carro(era um conhecido que acenava). Droga, estragou tudo. Mas as recordações me pertencem.
Escrito por Valter às 10h27
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Então vamos lá:
É mesmo intrigante o fato de como algumas lembranças nos acompanham no decorrer da vida. A que me ocorre hoje é exemplo disso e gostaria de compartilhar com quem se dá ao trabalho de ler este blog.
Fui criado em uma casa(térrea) com um quintal enorme na zona leste de São Paulo perto de onde hoje se situa o Jardim Anália Franco(uma das áreas mais valorizadas da capital,etc,etc).Bom a lembrança que mencionei há ,pouco na verdade não é da minha casa, mas da casa de um amigo de infância, tambem ele morador de uma casa com um quintal grande(um pouco mais bem cuidado que o meu, é lógico). Mas indo ao punto: na casa dele tinha uma parreira de uvas que fôra plantada senão me engano pelo seu avô paterno(italiano ) e que nos primeiros tempos era por ele cuidada com carinho de plantador. Com o passar do tempo e à medida que crescíamos, seu pai foi incumbindo meu amigo de fazer os cuidados básicos do quintal: manter o gramado incipiente limpo de pragas, de sujeira do cão(Band) e claro, cuidar da parreira.Uma vez por ano chamavam o jardineiro para a poda(o avô já tinha morrido, acho.) Nossa adolescência transcorreu normal e corriqueiramente. A lembrança que tenho desse tempo são as memoráveis partidas de chute em gol que disputávamos(os dois palmeirenses é lógico) fato que deixava a mãe louca da vida, pois a cada chutão lá ia ou a gaiola dos passarinhos (do pai, bravo prá cacete) ou as plantas que ela teimosamente insistia em deixar ao alcance dos nossos petardos. Bem, e aparreira? Crescia, se fortificava e começavam a aprecer os primeiros e tímidos frutos.
Escrito por Valter às 09h28
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Por viver entendemos
que nosso ser foi criado
a semelhança e imagem
do ser maior, criador
Das fugas constantes
que fazemos e sentimos
fugimos como sempre
para sermos mais nós mesmos
E a angústia de viver
do amargo gosto de fel não escapamos
e queremos mais uma vez
viver e sorrir, sempre sorrir
Por isso, vivamos!
Escrito por Valter às 10h41
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cumprindo parte das promessas, aqui estou novamente. Bom esse escritinho foi em dezembro/1981.De lá prá cá muita coisa mudou.Mas a essência não, portanto ainda é válido. De resto, acho que não devemos colocar muitas questões, pois viver por si só já é muito. Como diria o velho Guimarães Rosa, "Viver é perigoso. Então, lá vai:
POR VIVER E SORRIR VIVEMOS
Escrito por Valter às 10h31
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Aditivo: isto eu escreví em 13/09/1977(!) no dia do nascimento do meu filho Pablo. Meu Deus! quanto tempo, quanta coisa. Ah! se pudéssemos dar um esc e voltar no tempo. Quanta coisa faria diferente?
Escrito por Valter às 11h55
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PABLO, A LUZ DO DIA
Hoje meu filho.
enxergas a luz do dia
pela vez primeira.
Não te impressiones, filho
É assim mesmo o sonho
E se não te acostumas
Com estas luz, não te importes
Feche as pálpebras
E demonstre vontade
Neste mundo,
na vida que de mim herdas,
Vais precisar muito desse bem
Precioso dom que nasce com o homem
Escrito por Valter às 11h45
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olá, cheguei. Fiquei uns dias meio-off, mas já está tudo bem denovo.Pretendo a partir de agora me manter mais blogado, mais plugado, mais conectado com o mundo, enfim. Sim, isso é quase uma promessa, uma profissão de fé, Ando muito dispersos, esses dias tudo culpa da mardita(a depressão) mas venho conseguindo domesticar a fera(afora o aperto no peito, a vontade de morrer, as lágrimas involuntárias e sem porquês)de resto tudo vai bem.Ou quase.
É impressionante o que a porra(desculpe)da doença faz com a gente. Transforma-nos em outra pessoa, ou melhor numa pessoa irreconhecível prá gente mesma(tenho dó da Ana que convive comigo há 30!anos).Faz muito mau. Nos abate, derrupa e aí sou obriga a lembrar do John Anderson(YES) "I'm sitt down;I'm get up". Só de vez em quando não teria problema nenhum. O duro é quando se estende por mais de 40(!) anos.
Tirante isso, acho que dá prá levar. Como uma tentativa de expurgar os demônios que me afligem, passo a publicar a partir de hoje, alguns escritos que me acompanham há trinta anos. São infantis, juvenis e alguns até mesmo senis. Não espero aplausos(e nem críticas, por favor. Sou muito suscetível) pois isso poderia bloquear meus raros neurônios que ainda resistem(dizem os mais próximos que são dois, no máximo três...) e estão localizados numa parte3 obscura de um dos hemisférios do cérebro(não lembro qual). Bom, vai lá:
"Morremos uma vez só.Felizmente, porque nascemos diversas.A primeira é a menos dolorosa"(Paulo Francis)
Escrito por Valter às 11h32
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