SÓ SEI QUE NADA SEI
 

Andavam pela rua, assim os dois.Lado a lado. Calados. A coexistência pesando. Ele queria falar mas palavras não tinha. Ela ávida por algo a mais.Também não vinha. Os passos na calçada podiam ser ouvidos à distância, apesar do barulho da rua. ônibus passando, crianças aos gritos, um carro com o som alardeando a última oferta. Nada disso interferia no silêncio que se interpunha entre os dois. Ele sabia. Naqueles momentos eram só os dois e o nada.

Depois de anos juntos(quantos seriam, meu deus!, pensou ele) a convivência esta difícil. Os interesses já não batiam. Pelo contrário, irritavam. Aliás, tudo nela irritava agora. A coisa mais banal provocava nele uma turbulência, uma agitação.Tinha vontade de mandar calar a boca. Se segurava. Procurava a paciência onde não tinha. Em outras vezes batia o sentimento de culpa, ainda gostava dela. E o ambíguo da situação era um complicador a mais.

Sentimentos confusos. Coração acelerado. Vontade de dizer e calar. Sufoco.

Ena calçada os passos se sucediam. Ploc-ploc-ploc. Silêncio. Pegou no braço dela para atravessar no farol. Ela olhou sem jeito. Sorriu de leve.



Escrito por Valter às 03h40
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  POEMA SÓRDIDO

 

DOS VERDES VALES

E DO VELHO BLUES

ME DESPEDÍ NUMA NOITE

DE SUOR E LUTA

 

TOMANDO UM CHAMPAGNE COM COCA-COLA

NUM BOTECO QUALQUER

DA GRANDE CIDADE

BRINDAMOS Á DESPEDIDA

 

SINTO AINDA O CORAÇÃO PICADO

E SANGRA GOTA A GOTA, O DANADO

E AS VEIAS EXPELEM EM FLUXOS

APENAS ACIDO ETÍLICO

 

JÁ NÃO ME EMOCIONO

COM A HERANÇA DO MEU FILHO

SE VIVERIA NUMA COLINA PRÓXIMA

OU NA MAIS DISTANTE ESQUINA

É --ele --DONO DOS SEUS PASSOS

E DO MUNDO, CIDADÃO

 

O DOLORIDO CORAÇÃO AMERICANO

HOJE SANGRA E AS GOTAS SE ESPALHAM

SUJANDO O CARPETE COR DE MEL

 

FUNDINDO-SE COM OS PELOS ANTI-ALÉRGICOS

MEU SANGUE-FLUÍDO

MISTURA DE CHAMPAGNE COM COCA-COLA

 



Escrito por Valter às 09h36
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  DE VOLTA AO BATENTE

Começo hoje o projeto do novo livro. Serão pequenas estórias(algumas ficcionais, outras não) situadas nas estações do metrô de são paulo ou nas suas imediações, retratando situações do dia à dia, estórias urbanas, enfim. Pretendo criar estórias com personagens simples, situações cotidianas, engraçadas, às vezes tristes, enfim quase reais. Boim, vamos ver o que vai sair. À princípio o título do livro seria "Estórias no metrô" mas pode mudar a qualquer momento se pintar coisa melhor.

Porém, não vou deixar de lado essas curtas que tenho colocado aqui. Um projeto não atrapalha o outro.



Escrito por Valter às 08h48
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