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Agora estava alí, na sala. Só. A dor aumentando. Não parecia que o tempo tinha passado. Limpou o canto dos olhos, endireitou-se e leu na tela que piscava implorando mais um clic: Procuro alguém para ficar confortavelmente em silêncio. Será que encontro? Resolveu colocar isso no blog. Acessou e postou. Para sua surpresa, recebu uma resposta. Leu. Mais uma vez. Depois sorriu. Sim, uma mulher pedindo socorro, sempre comove. Espertalhão, murmurou. Está se achando. Quem pensa que é?
Clicou mais algumas palavras e desligou. O relógio apontava: Seis horas. Lá fora, só o silêncio das horas libertava os incautos. O coração estava mais leve. Já não tinha lágrima no canto do olho. Uma leve brisa, um aviso para encostar o vidro da janela. Sim, encontrara alguém para ficar confortavelmente em silêncio.
Escrito por Valter às 12h07
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O SILÊNCIO DAS HORAS
Procuro alguém para ficar confortavelmente em silêncio, ela disse. Na sala deserta, só o bip do computador denunciava alguma presença. Arrumou os cabelos que teimosamente caíam sobre os olhos. Uma lágrima, mínima, rolou pela face. Dolorida. A angústia no fundo do peito. Dor sem fim. Recostou-se na giroflex e dedilhou no teclado. Os olhos molhados, não distinguiam o que ía na tela.
Fez as contas mentalmente.Cinco meses. Sim, já faziam cinco meses. Desde aquela tarde, lá no bar da consolação. Ele pensou que ela ia ficar e conversar. Teriam ainda uma chance. Ela não ficou. Disse que não dava. Virou as costas e se foi. Dobrou a primeira à direita, apressada, sem se voltar para tráz. Não aguentaria.
Naqueles longos meses, eram có cinco, mas pareciam uma eternidade, mergulhara no trabalho. O projeto novo tomava todo o tempo. Tinha ainda acoluna no jornal do siindicato, a coluna no blog da amiga, fora os amigos que cobravam uma passadinha, um post, apenas um comentário para dizer oi, sei lá. E ela mergulhara, sim de cabeça, como procurando o fundo que sabia não existir. A solução estava na superfície. Ela sabia.
Poderia estar na Europa, agora. Poderia ter ido para o Maranhão com ele. Tocariam o projeto juntos, ele dissera. E tinha a grana. Puxa, vai ser legal, ela dissera. Mas não foi. Não disse nada a ele naquele dia. Marcaram para o dia seguinte. Às seis da tarde, No redondo. O redondo não existia mais com esse nome, mas eles continuavam chamando o bar assim.Marcaram às seis.Ele estava lá. O copo de cerveja pela metade. Os olhos perdidos. Pensou que ela fosse ficar. Ela disse: -- Não dá, estou atrazada. Virou as costas e se foi. Ele lá. Parado. Mudo.
Escrito por Valter às 11h58
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O DONO DO SILÊNCIO
Ficou alí parado. Os minutos passavam, ele estático, Pensamentos voavam feito mosquito, chegavam a zunir no cérebro.Quanto tempo se passou? Não saberia dizer. O olhar distante, a boca seca. às vezes trocava a perna de apoio procurando descanso. Quem olhasse de longe, juraria que era uma estátua. Não era. Apenas um homem imerso no seu silêncio. Refletiu sobre isso e voou. Sim, imerso no seu silêncio. Alí era ele e ele mesmo. Nada mais existia. Nada tinha importância. Sorriu de sí mesmo e da figura mental. O cérebro voava. Quem conseguiria invadir um cérebro tomado por pensamentos assim?
Era um trunfo também. Quando se fechava em copas, era um cofre. Hermético e silencioso. Nada o tiraria de lá. Não deixaria. Esse era o trunfo. Sair dalí prá quê? Lá fora o mundo exigia respostas, ação e rapidez. Alí naquele espaço era soberano. Rei absoluto de seus domínios. Impénetrável e solitário senhor de seus domínios. A capacidade de abstrair-se deveria ser valorizada como a de interagir, pensou. Aí estaria completamente realizado. Lá fora os carros passavam à toda. Buzinas troavam. Mães aplicavam safanões nos pequenos fujões que insistiam em ir para a rua. Ele lá. Estático. Imóvel. Estátua.
Escrito por Valter às 14h48
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